Dona Alice, Não sei se entendi o seu nome certo. Sua fala é baixa, introvertida e, imagino, bastante silenciada. Foi silêncio também o que me tomou quando entendi as circunstâncias terríveis do seu sofrimento. Nesses dias de conversa, todos que conheci me falaram dos filhos que perderam. Muitos anjos, com sete anos ou menos, que por motivos obscuros não "vingaram". Fome, excesso de trabalho, falta de água tratada. “Eu tive seis filhos, mas chorei muito”, me disse uma mulher, “só um deles Deus deixou comigo”. Nem sei se esses anjos todos tiveram nomes, mas o seu filho tinha. Tinha nome, profissão e um futuro imenso pela frente. Era conhecido pela comunidade e amado por muitos amigos, pelos pais e pelo irmão. Foi assassinado. Queria pedir sinceras desculpas à senhora por ter sugerido que teria sido história de briga. Eu ouvi tantas antes de ir à sua casa que achei de fazer essa pergunta injusta e agressiva. Briga coisa nenhuma, foi história de amor. O amor que ele tin...
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