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Será que ainda encontro palavras para te escrever?

Quando a gente se conheceu, a novidade era o avistar. Que frio na barriga que me dava, e o rosto imediatamente vermelho. Lembro de sair de casa e imaginar a emoção que seria cruzar o teu caminho por acaso. E quantas horas passei no corredor, sentada, esperando o telefone tocar? Até hoje meus irmãos falam disso, eu interditava as ligações de todos eles.

Nossas conversas de agora são mais práticas, trocas de mensagens telegráficas, como tem que ser. Falamos de supermercado, de lâmpadas queimadas e de contas a pagar. Estranho seria eu não te avistar um desses dias. Mas, na semana passada, lembrei daquela história engraçada do tempo da escola e você riu tanto que eu te amei como nunca.

Quanto de mim, do que eu sou, você ainda não conhece? No dia em que celebro tua vida, me pego seduzida pelos corredores da tua memória que ainda não percorri. De repente, somos namorados de novo, e podemos deitar no chão, tomar uma garrafa de vinho, rir juntos do que passou e do que está por vir. Pronto, acho que é isso que desejo para você e para mim no seu aniversário. Que delícia, amor, vamo?

Viva tu! Te amo demais.
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