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Sonhei com a gente.

Já posso até ver o sorriso que essa frase gerou, mas não foi exatamente um sonho desses assim. Se bem que não estávamos vestidos, como costuma ser nos nossos momentos mais honestos.

A conversa era séria, mas distraída, entre carinhos. Eu, que sempre fui vento, no fundo, ali, queria mesmo era chão, e os nossos pés juntos, nossas mãos dadas. Mas você me anunciava os seus próximos voos e me perguntava dos meus, com um entusiasmo que me alegrava e me feria na mesma medida. 

Eu não te culpava, claro, como não te culpo. Foi um sonho ou uma lembrança? Não há lugar para culpa nenhuma aqui, só saudade mesmo. E um sentimento terno de carinho, que é um pouco feito de falta, mas é também presença, e que talvez seja incondicional.

Cuida dos teus caminhos, dos teus voos e lembra de mim, ou sonha comigo de vez em quando também, tá?

Beijo,


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