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Ontem sonhei de novo com você. Olhos de decepção, “eu estava
vivo” – você dizia – “por que vocês me enterraram?”.
Camus escreveu que este era o mais grave problema
filosófico. Não sei, mas acho que ainda seguimos tentando entendê-lo.
A falta que você faz é maior quando estamos juntos. O
estranho é que é falta, mas é presença também, e continuamos a rir com/de você
e a escutar sua voz.
Não acho que você duvidou do amor que recebeu de todos, como
também não duvidamos de sua reciprocidade. É difícil de imaginar a dor e a
angústia que te levaram de nós, e o alívio dessa escuridão é o único – ainda que
frágil – consolo que pode existir.
Tivemos que enterrar o teu corpo, ___. Não havia outro
caminho possível. Mas prometo que, enquanto não há reencontro, te manteremos
por aqui, principalmente nos dias alegres.
Com muito amor e saudade,
_____.
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